Na terça-feira, dia 28, o administrador da NASA, Jared Isaacman, apresentou ao Senado dos Estados Unidos a proposta orçamentária para o exercício fiscal de 2027. Dentre as metas, destacou a intenção de enviar astronautas à Lua até 2028 e fez uma defesa pela reintegração de Plutão ao status de planeta.
Isaacman aproveitou sua participação para criticar os atrasos recorrentes e os gastos excessivos que marcaram a trajetória da agência, sugerindo uma reformulação interna que assegure a “superioridade espacial americana” em um contexto de intensa competição geopolítica.
A nova abordagem propõe uma “correção de erros” oriundos de administrações anteriores, que resultaram em aproximadamente US$ 15 bilhões (cerca de R$ 75 bilhões) em custos adicionais desde o ano de 2009.
Para cumprir as novas metas estabelecidas, a NASA planeja trocar milhares de prestadores de serviços por funcionários públicos, com o objetivo de economizar centenas de milhões de dólares e aumentar a frequência dos lançamentos do programa Artemis.
Ao final do seu depoimento, Isaacman reforçou sua posição em favor da campanha “Faça Plutão um Planeta Novamente”.
NASA foca em base lunar permanente e contesta ciência por trás de Plutão
A estratégia da NASA inclui a construção de uma base lunar, colaborando com o setor privado para possibilitar o envio de landers, rovers e sistemas energéticos.
A ideia é utilizar nosso satélite natural como um ambiente experimental para futuras missões tripuladas destinadas a Marte, enquanto a agência promove uma economia orbital que permita o desenvolvimento de estações espaciais comerciais até 2030.
<pIsaacman enfatizou que a prioridade deve ser a exploração do solo lunar e criticou projetos anteriores que se concentravam apenas na criação de bases orbitais ao redor da Lua.
No âmbito terrestre, o orçamento inclui planos para o lançamento do telescópio Nancy Grace Roman, programado para o final de 2026 e que terá uma capacidade de varredura mil vezes superior à do Hubble.
A missão Dragonfly, um drone nuclear destinado à exploração da lua Titã, em Saturno, está agendada para 2028. Além disso, está previsto o envio de tecnologia relacionada à fissão nuclear para a superfície lunar até 2030.
A agência também pretende colaborar com a indústria na redução dos custos associados à coleta de dados climáticos essenciais tanto para práticas agrícolas quanto para a prevenção contra desastres naturais.
A urgência por eficiência foi evidenciada através das falhas em projetos como o avião supersônico X-59, que teve seu orçamento estourado em centenas de milhões de dólares, além do foguete SLS Block 1B, cujo custo estimado aumentou para US$ 5,7 bilhões (R$ 28 bilhões).
Ikeasam ainda mencionou o lançador móvel ML2, cujo contrato inicial estipulava US$ 383 milhões (R$ 1,9 bilhão), mas agora apresenta uma estimativa elevada para US$ 1,8 bilhão (R$ 9 bilhões).
Para ele, manter esses altos custos é insustentável e desvia foco das missões realmente significativas que podem impulsionar a exploração espacial.
No encerramento do depoimento, Isaacman anunciou que a NASA está elaborando artigos para contestar a decisão da União Astronômica Internacional (IAU) tomada em 2006, que reclassificou Plutão como um “planeta anão”.
No entendimento do administrador da NASA, os critérios adotados pela IAU apresentam inconsistências. Ele argumenta que essa reclassificação é crucial para reconhecer adequadamente o trabalho do astrônomo americano Clyde Tombaugh, responsável pela descoberta de Plutão em 1930.

