Por Lindomar Góes Ferreira, presidente da ABStartups*
O ecossistema de startups no Brasil iniciou 2026 com um novo nível de maturidade, caracterizado por modelos de negócios mais sustentáveis, uma aplicação mais estratégica da inteligência artificial e uma conexão mais robusta com o mercado corporativo. É evidente que os primeiros meses deste ano exigiram uma transformação na mentalidade dos empreendedores.
Os fundadores estão agora mais capacitados para enfrentar complexidades, ciclos prolongados e decisões estratégicas. Esse novo preparo fortalece o ecossistema como um todo e posiciona o Brasil de maneira mais competitiva no cenário internacional. Nesse contexto, espera-se que o próximo semestre foque menos em crescimento acelerado a qualquer custo e mais em eficiência, impacto real e criação de valor.
Essa evolução não é fruto do acaso. O aprendizado adquirido ao longo do tempo nos ensinou a crescer mesmo em meio a ciclos desafiadores, capital seletivo e realidades econômicas que requerem mais criatividade do que entusiasmo desmedido. Essa combinação está moldando uma nova onda de inovação no país.
O perfil dos empreendedores também está passando por mudanças significativas: há um aumento no número daqueles que estão em sua segunda ou terceira experiência empresarial, além de uma diversidade maior em termos de gênero, idade e formação, conforme dados da ABStartups. Essa diversidade contribui para decisões mais estratégicas e negócios mais resilientes. Cada vez mais, é essencial acompanhar a evolução de um ecossistema que se sofisticou e agora exige articulação qualificada para empreendedores que alcançaram um novo patamar.
Gradualmente, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta experimental para se integrar aos processos centrais das startups — desde o atendimento ao cliente até a tomada de decisões estratégicas. O verdadeiro diferencial estará na habilidade de implementar essa tecnologia de maneira ética, escalável e alinhada ao modelo de negócio. Após anos focados em tração rápida e expansão acelerada, as startups agora priorizam modelos financeiramente sustentáveis.
Métricas como margem, LTV (Lifetime Value) e geração de caixa se tornam cada vez mais relevantes, especialmente em um ambiente com capital mais seletivo. Neste estágio de amadurecimento, questões como ESG (ambiental, social e governança), compliance e impacto social deixam de ser elementos secundários para se tornarem fatores decisivos na atração de investidores, parceiros e clientes.
É evidente que as startups que compreenderem este novo momento do mercado, dedicando atenção genuína aos seus clientes, investindo em governança desde o início e utilizando tecnologia como um meio — e não como um fim — estarão mais propensas a se destacar.
*Lindomar Góes Ferreira assume a presidência da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) desde janeiro de 2025. Ele é cofundador da Proesc e uma referência na articulação do ecossistema inovador na Amazônia. Com mestrado em Engenharia da Computação e especializações em Cloud Computing, Data Science e Segurança da Informação, possui formação em Matemática e uma trajetória como professor antes de entrar no setor tecnológico. Fundador da comunidade Tucuju Valley e articulador da Amapatec, foi o primeiro presidente da ABStartups oriundo da região Norte do Brasil, promovendo uma agenda voltada à descentralização, diversidade e fortalecimento das startups em todo o país.

