A Meta anunciou a suspensão temporária da criação de imagens de candidatos utilizando suas ferramentas de inteligência artificial (IA), em conformidade com as normas eleitorais brasileiras.
Esse comunicado foi feito após a realização de testes que revelaram que o Meta AI, disponível no WhatsApp, rejeitava solicitações relacionadas a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto permitia a geração de imagens associadas ao nome de Flávio Bolsonaro (PL).
As primeiras queixas sobre o funcionamento da ferramenta começaram a ser disseminadas nas redes sociais na terça-feira, dia 13.
Durante os testes conduzidos pela equipe, os comandos que mencionavam Lula foram bloqueados. Em contraste, pedidos semelhantes para gerar imagens com Flávio Bolsonaro resultaram em uma arte de camiseta verde com letras amarelas.
Os resultados foram positivos quando o comando apenas incluía o primeiro nome do candidato do PL. Por outro lado, tentativas de substituir “Flávio” por “Bolsonaro” nos comandos foram barradas.
No que diz respeito ao atual presidente da República, não foi possível gerar imagens utilizando nem mesmo “Lula” ou “Luiz Inácio”, que é seu primeiro nome. Testes adicionais com a grafia errada do nome, “Luís Inácio”, também resultaram em bloqueio.
Meta confirma bloqueio de imagens de candidatos
Em sua resposta ao questionamento feito, a Meta informou que implementou ações para evitar a criação de imagens relacionadas a candidatos, mesmo quando os comandos usam apenas o primeiro nome e o número eleitoral.
Para cumprir as diretrizes eleitorais no Brasil, decidimos proibir temporariamente a recomendação e a geração de imagens de candidatos. Além disso, adotamos medidas adicionais para garantir que comandos utilizando apenas o primeiro nome dos candidatos e seus números nas urnas também não gerem imagens.
Meta, em declaração oficial
Após receber essa informação da Meta, a reportagem realizou um novo teste solicitando uma imagem com os termos “Flávio”, “PL” e “22”. Neste caso, o sistema inicialmente permitiu a criação da imagem, mas rapidamente bloqueou essa tentativa.
Campanha de Lula recorre ao TSE
No dia seguinte, quarta-feira (14), a campanha do candidato Lula protocolou um pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levantando novas questões sobre o funcionamento da inteligência artificial da Meta.
A coligação do presidente argumenta que a ferramenta opera de maneira tendenciosa ao barrar pedidos relacionados ao petista enquanto inicialmente permite a geração de imagens associadas a Flávio Bolsonaro.
A campanha solicitou ações imediatas para cessar as restrições impostas aos conteúdos eleitorais e pediu uma compensação em dobro pelo alcance que considera ter perdido devido ao problema.
Além disso, a coligação questionou outros incidentes envolvendo a plataforma, como falhas nas métricas de visualizações e a exclusão de contas consideradas irregulares.
Em uma manifestação anterior à Justiça Eleitoral, a Meta alegou que as falhas nas métricas foram globais e temporárias, afetando mais de cem países sem impactar realmente na distribuição das publicações. A empresa também refutou as acusações de favorecimento político feitas pela campanha.

