Uma recente instabilidade no sistema global de GPS impactou as aeronaves da linha E2 fabricadas pela Embraer. Na terça-feira (22), passageiros que iriam embarcar em voos da companhia Azul, no Aeroporto Internacional de Brasília, relataram longas filas e cancelamentos. A empresa confirmou que a anomalia afetou as aeronaves desse modelo específico.
Mas o que pode ter provocado essa situação? O especialista em cibersegurança Marcelo Branquinho afirma: “Neste momento, não se pode descartar nenhuma possibilidade”.
Branquinho, que também é CEO da TI Safe, observou: “Se apenas algumas aeronaves tivessem sido afetadas, seria uma situação comum. Mas o fato de todas terem apresentado problemas simultaneamente é algo que chama a atenção”.
Em comunicado, a Embraer destacou que “embora essa ocorrência possa influenciar a programação operacional das companhias aéreas, não há comprometimento na segurança dos voos”.
A possibilidade de ataque hacker nos aviões da Embraer: análise do especialista
<pSegundo Branquinho, uma das hipóteses em consideração é a ocorrência de um ataque cibernético. Ele sugere: “De maneira ampla, isso pode ser resultado de um malware inserido em dispositivos de leitura da Honeywell — como uma time bomb, programada para ativar em um dia específico”.
Ele ainda acrescenta: “Pode haver uma degradação do sinal GPS recebido por esses leitores da Honeywell”.
Isso significa que a instabilidade pode ter surgido devido à forma como os componentes eletrônicos da Honeywell Aerospace processam os sinais do sistema GPS terrestre.
Funcionamento do sistema de GPS global:
- Satélites orbitais: Uma rede de satélites gira ao redor do planeta, atuando como relógios extremamente precisos;
- Transmissão de sinais: Os satélites enviam continuamente informações para a superfície terrestre, comunicando sua identidade e horário atual;
- Cálculo de distância: Receptores na Terra — como os presentes em celulares e aeronaves — captam sinais de múltiplos satélites simultaneamente. Eles determinam o tempo que o sinal levou para viajar do espaço até o solo. Ao cruzar dados de pelo menos quatro satélites, conseguem identificar sua localização exata.
A Honeywell desempenha um papel crucial nesse cenário, pois é responsável pela criação da “caixa preta eletrônica” e do software utilizados pelos aviões para receber e processar informações geográficas.
Em essência, o sistema global de GPS fornece as informações necessárias enquanto os equipamentos da Honeywell atuam como intérpretes dessas informações.
A hipótese levantada pelo especialista é que uma falha nos dispositivos da Honeywell — possivelmente ocasionada por um malware — poderia ter interrompido a compreensão dos dados enviados.
Aeronaves impactadas pela instabilidade
A linha E2 compreende dois modelos: E190-E2 e E195-E2. Este último se destaca por ser a maior aeronave comercial já construída pela Embraer, com capacidade para acomodar até 146 passageiros.
No momento, mais de 200 unidades desse modelo estão operando em frotas de 24 companhias aéreas diferentes. A Azul possui cerca de 50 aeronaves E195-E2 em sua frota.
A Embraer garantiu que a falha não compromete a segurança dos voos, assegurando que “a frota global das aeronaves E2 conta com sistemas e procedimentos de navegação capazes de operar mesmo sob condições adversas no sistema GPS”.
A empresa ressaltou ainda que seus sistemas estão “preparados para garantir operações seguras seguindo as diretrizes estabelecidas pelas autoridades civis da aviação”.
Pela comunicação oficial da companhia, houve uma notificação sobre relatos relacionados à instabilidade do sistema GPS afetando certos tipos de aeronaves, incluindo as da linha E2. A Embraer está monitorando cuidadosamente a situação junto aos operadores e ao fabricante dos equipamentos envolvidos.
A companhia também informou estar oferecendo suporte técnico aos clientes e tomando as medidas necessárias para resolver o problema.
A empresa foi contatada para verificar se a possibilidade de um ataque cibernético está sendo considerada nas investigações. O retorno está sendo aguardado.

