A nova diretriz da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pode intensificar a busca pela naturalização entre jogadores estrangeiros no país. A entidade decidiu implementar uma diminuição progressiva na quantidade de atletas de nacionalidade diferente que poderão ser registrados nas partidas do Campeonato Brasileiro, o que deve estimular os clubes a considerarem mais frequentemente a naturalização de jogadores que já residem no Brasil.
Um exemplo dessa mudança é Giorgian De Arrascaeta, meia uruguaio que atua pelo Flamengo. Ele iniciou em 2023 o processo para se tornar cidadão brasileiro, tendo se estabelecido no país desde 2015, quando foi contratado pelo Cruzeiro.
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Assim, a decisão da CBF ressalta uma realidade já presente nos bastidores do futebol brasileiro: jogadores estrangeiros com longa estadia no país têm a oportunidade de buscar a naturalização para não serem contados dentro do limite imposto pela entidade.
Limitação gradual de estrangeiros nas competições
A confederação estabeleceu um plano para reduzir gradualmente o número de atletas estrangeiros permitidos na súmula das competições nacionais. O teto atual de nove jogadores passará para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em diante, a partir de 2030.
Essa modificação foi aprovada durante uma reunião entre clubes e federações promovida pela entidade. Com essa nova regra, as equipes terão que se adaptar progressivamente às novas diretrizes.
Nesse contexto, a naturalização surge como uma alternativa viável para aqueles jogadores que já residem há anos no Brasil e cumprem as condições exigidas pela legislação local.
Arrascaeta dá início ao processo de cidadania brasileira
Atuando no futebol brasileiro desde janeiro de 2015, quando se transferiu para o Cruzeiro, Arrascaeta foi contratado pelo Flamengo quatro anos depois e permanece até hoje nesse clube.
Em 2023, ele deu início ao processo para adquirir a cidadania brasileira. Caso consiga ser naturalizado, deixará de ser considerado um jogador estrangeiro para fins de registro esportivo. Contudo, ele não é o único atleta nessa situação.
Quem pode solicitar a naturalização?
A legislação brasileira determina um período padrão de quatro anos de residência para quem deseja solicitar a naturalização ordinária. Além disso, o interessado deve atender a outros requisitos como demonstrar habilidade na língua portuguesa e não ter condenações penais registradas.
Portanto, apenas cumprir o tempo mínimo de residência não garante automaticamente a nacionalidade. Isso representa apenas um dos critérios necessários para formalizar o pedido.
Dentre os jogadores que já completaram esse prazo estão alguns nomes significativos do futebol nacional. Gustavo Gómez, por exemplo, está no Brasil desde agosto de 2018. Piquerez chegou aqui em julho de 2021 e Flaco López está radicado desde junho de 2022.
No Grêmio, Villasanti chegou ao Brasil em agosto de 2021 e Germán Cano atua aqui desde janeiro de 2020. Outros atletas que podem solicitar são Soteldo (Fluminense), Calleri (São Paulo), Emmanuel Martínez (Vitória), Gabriel Mercado (Internacional), Cuello (Atlético-MG), além dos flamenguistas Varela e Pulgar.
Kannemann já conquistou sua cidadania brasileira
Um caso recente é o zagueiro Walter Kannemann, do Grêmio, que obteve sua cidadania brasileira em 2026 após passar pelo processo necessário, deixando assim de ser considerado um atleta estrangeiro na equipe. Outro exemplo é Andrés D’Alessandro, que também conseguiu sua naturalização durante seu período nos gramados brasileiros. Esses casos ilustram como a cidadania pode modificar a condição dos atletas dentro dos clubes.
A nova regra não implica naturalização automática
Embora a nova norma da CBF traga à tona questões relevantes acerca da naturalização, ela não altera as legislações vigentes que regem esse processo no Brasil. A concessão da cidadania ainda depende do cumprimento das exigências legais e da avaliação dos pedidos pelas autoridades competentes.
Além disso, jogadores que deixaram o território brasileiro durante esse período devem estar cientes das regras relacionadas às ausências temporárias. Dependendo do tempo fora do país, isso pode impactar na contagem necessária para residência.
Com esta redução gradual das vagas destinadas aos atletas estrangeiros até o ano de 2030, os casos como os de Arrascaeta, Gustavo Gómez, Piquerez, Villasanti e Cano ganham um novo significado dentro do cenário esportivo brasileiro. Para aqueles que já atendem aos requisitos legais estabelecidos pela legislação vigente, buscar a naturalização pode ser uma estratégia eficaz para garantir permanência nos elencos sem ocupar uma vaga destinada aos internacionais.

