Retorno musical a Havana
Na terça-feira, dia 7 de abril, Chico Buarque chegou a Cuba após um hiato de 34 anos sem visitar o país caribenho. Sua viagem à capital cubana foi motivada por um convite de Silvio Rodríguez, cantor e compositor cubano com quem mantém uma amizade que dura mais de cinquenta anos.
O principal objetivo dessa visita é um projeto musical entre os renomados artistas da música latino-americana. Eles entrarão em estúdio na próxima quinta-feira, 9 de abril, para gravar uma nova interpretação do clássico “Sueño con Serpientes”, obra de Rodríguez.
Solidariedade em tempos difíceis
A passagem de Chico por Cuba não se limita apenas aos compromissos musicais. O perfil oficial do artista de 81 anos ressaltou que sua presença na ilha também representa uma forma de “solidariedade ao povo cubano, especialmente em meio ao aumento das sanções e à crise energética que o país enfrenta”.
Logo após sua chegada, acompanhado pela esposa Carol Proner, jurista, o cantor participou de uma ação humanitária. O casal doou medicamentos essenciais diretamente ao Ministério da Saúde de Cuba, contribuindo assim para ajudar a população local.
História de laços com a ilha
A relação de Chico Buarque com a cultura cubana é profunda e histórica. Além da amizade com Silvio Rodríguez, o artista brasileiro manteve um vínculo próximo com o compositor Pablo Milanés (1943-2022), famoso por sua canção “Yolanda”, que Chico gravou em português.
A conexão musical entre os dois países se manifestou em momentos significativos da história. Durante a ditadura militar no Brasil, Chico escreveu “Maravilha” em colaboração com Francis Hime, incluindo referências à nação caribenha. Em 2008, seu trabalho foi homenageado em Cuba quando Omara Portuondo, ícone da música cubana, gravou uma versão de “O Que Será”.
A trajetória do cantor em relação a Cuba também inclui uma notável caravana artística que levou diversos músicos brasileiros à ilha em 1979. Entre eles estavam nomes como Gonzaguinha, Djavan, Simone, Zezé Motta e Marieta Severo.

