Com um mercado que pode ultrapassar US$ 385 bilhões até 2030, startups estão transformando a tecnologia em uma vantagem competitiva, demonstrando que eficiência e impacto positivo podem coexistir na cadeia de suprimentos alimentares.
O cenário das foodtechs no Brasil, com 500 startups ativas e um total de R$ 877 milhões captados em 2024, vive um período de crescimento e consolidação, conforme informações da Liga Ventures. Mais do que apenas captar investimentos, essa nova geração de empresas está reestruturando a cadeia alimentar utilizando tecnologia para promover eficiência e gerar um impacto significativo.
Este fenômeno reflete uma tendência global; dados da ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) indicam que o setor de foodtech pode ultrapassar os US$ 385 bilhões até 2030, destacando a importância da inovação para o futuro da alimentação.
Desde o desenvolvimento de novas proteínas projetadas para minimizar os danos ambientais da produção tradicional até plataformas que ajudam a combater o desperdício, essas três foodtechs exemplificam como a inovação no setor alimentício evoluiu de uma mera tendência para uma estratégia consolidada, unindo eficiência, sustentabilidade e um impacto direto na saúde financeira das empresas e na vida dos consumidores. Confira abaixo:
1. Connecting Food: plataforma dedicada à redistribuição de alimentos
A Connecting Food é uma foodtech brasileira fundada em 2016 por Alcione Pereira, engenheira de alimentos. A startup se especializa em unir alimentos que seriam descartados por empresas, mas ainda são adequados para consumo, a organizações sociais que atendem comunidades vulneráveis. Atualmente, possui uma rede com mais de 700 OSCs espalhadas pelas 27 unidades federativas do Brasil.
A Connecting Food já colaborou com grandes nomes do setor alimentício, como GPA e Assaí Atacadista, na redistribuição de aproximadamente 21 mil toneladas de alimentos que poderiam ser desperdiçados, resultando na oferta de cerca de 39 milhões de refeições.
2. Typcal: inovação na fermentação de micélios
A Typcal se destaca como a primeira foodtech da América Latina focada na fermentação de micélio através da economia circular. A startup desenvolveu um novo ingrediente para a indústria alimentícia utilizando biotecnologia, criando um processo sustentável e escalável para gerar proteína à base de micélio. Esse ingrediente pode ser incorporado em diversos produtos alimentares, promovendo saúde e sustentabilidade.
Com planos de transição da sua fábrica piloto para um modelo comercial até meados de 2025 e a expansão para o mercado europeu em andamento, a empresa busca parcerias com grandes multinacionais para diversificar seu portfólio. Além disso, prepara-se para lançar um novo produto no segundo trimestre de 2025. Por dois anos consecutivos, a Typcal foi incluída no ranking Foodtech 500, reconhecendo-a como uma das mais inovadoras do setor. Entre seus investidores estão personalidades do esporte como Bernardinho e Bruninho.
3. Food To Save: aplicativo líder no combate ao desperdício alimentar
A Food To Save é uma foodtech sustentável criada em 2021 com o objetivo de transformar o cenário do desperdício alimentar no Brasil. Com presença em mais de 100 cidades distribuídas por 14 estados brasileiros, ela atua através de um aplicativo que conecta estabelecimentos como supermercados e padarias com consumidores conscientes.
Até agora, mais de 7.5 milhões de usuários se registraram na plataforma e foram resgatadas cerca de 5 milhões de Sacolas Surpresa. A startup conseguiu salvar mais de 8 mil toneladas de alimentos que estavam prestes a ser desperdiçados, evitando assim a emissão aproximada de 13 mil toneladas de CO2 na atmosfera. Reconhecida entre os seis aplicativos mais baixados do país, a Food To Save recebeu o selo do Sistema B por seu compromisso com práticas sustentáveis e agora faz parte da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas (ONU). Marcas conhecidas como Cacau Show e GPA estão entre as parceiras dessa iniciativa.

