Nesta segunda-feira (8/6), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o sistema de farmacovigilância do governo detectar eventos adversos graves e inesperados em indivíduos que receberam a imunização, incluindo duas mortes suspeitas que estão sendo investigadas.
Conhecida como Butantan-DV, essa vacina, que fez história ao ser a primeira de dose única e totalmente brasileira contra os quatro sorotipos do vírus, começou a ser administrada no início deste ano, priorizando inicialmente os profissionais de saúde. Até o momento da suspensão, aproximadamente 500 mil doses tinham sido aplicadas.
Veja as fotos
Leia Também
Caso Felipeh Campos: Saiba quais remédios evitar diante de suspeita de dengue
Anvisa aprova dose única de vacina contra dengue desenvolvida pelo Butantan
Fábrica produzirá até 200 milhões de mosquitos por semana para ação de combate à dengue
Juju Salimeni se espanta com manchas na pele em estágio final da dengue
Durante uma coletiva à imprensa com representantes da Anvisa e do Butantan, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que foram registradas 3.703 notificações com sintomas semelhantes aos da dengue, o que corresponde a 0,7% do total vacinado.
O alerta que levou à interrupção partiu de um número ainda menor: apenas 42 casos apresentaram sinais graves (0,008%). Dentre esses casos, três evoluíram para quadros clínicos extremamente severos:
-
Uma mulher de 39 anos foi internada em UTI com choque seis dias após receber a vacina, mas se recuperou;
-
Uma mulher de 48 anos apresentou sintomas intensos 19 dias após a vacinação, desenvolveu meningoencefalite e faleceu;
-
Um homem de 58 anos teve febre no quinto dia pós-vacinação e evoluiu rapidamente para choque refratário e também não sobreviveu.
Apesar das ocorrências graves relatadas, Padilha ressaltou que não há evidências conclusivas ligando a vacina às mortes. “Tivemos três casos sérios […] Sem dados suficientes até agora para confirmar uma relação causal entre a vacina e os eventos”, disse o ministro reiterando sua confiança na capacidade científica do Butantan.
A decisão repentina pegou muitos desprevenidos. O imunizante havia recebido autorização da Anvisa após cinco anos de rigorosos testes clínicos na fase 3 com mais de 16 mil voluntários no Brasil. O estudo original publicado na prestigiada revista Nature indicou eficácia geral de 74,7%, alcançando até mesmo proteção completa contra hospitalizações. O Ministério da Saúde planejava distribuir cerca de 30 milhões de doses durante o segundo semestre deste ano.
O que fazer se você tomou a vacina?
Com a suspensão imediata das distribuições para estados e municípios, o Governo Federal iniciará uma busca ativa orientando as cidades a monitorar possíveis novos casos relacionados a reações adversas. Aqueles que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem permanecer calmos, mas atentos.
É fundamental procurar atendimento médico imediatamente e informar à Secretaria Municipal de Saúde caso apareçam sintomas como:
-
Febre;
-
Dor abdominal intensa e persistente;
-
Vômitos frequentes;
-
Tontura extrema ou sonolência excessiva;
-
Sinais de sangramento ou desidratação.

