A constelação Starlink, da SpaceX, realizou um impressionante total de 355 mil manobras preventivas para evitar colisões em apenas um ano, evidenciando a crescente competição pelo espaço ao redor da Terra.
As informações fornecidas pela SpaceX à Comissão Federal de Comunicações (FCC) despertaram a atenção de especialistas, que notam um aumento contínuo no risco de incidentes no espaço, conforme relatado pelo site Space.com.
Crescimento nas manobras devido ao aumento de satélites
Os números são alarmantes. Entre dezembro de 2025 e maio de 2026, a Starlink executou 207.152 manobras para evitar colisões, um aumento em relação às 148.696 realizadas no semestre anterior.
No total, foram mais de 355 mil desvios — um número que ultrapassa três vezes o que foi registrado em 2024. Cada satélite participou, em média, de mais de 40 manobras durante esse período.
Esse cenário reflete a rápida expansão da constelação; em dois anos, a frota da Starlink cresceu de aproximadamente 6 mil para mais de 10 mil satélites. Simultaneamente, o número total de espaçonaves operacionais orbitando a Terra aumentou de cerca de 10 mil para 16 mil.
Funcionamento do sistema
Os satélites estão posicionados entre 480 e 550 quilômetros acima da superfície terrestre e ajustam suas rotas automaticamente quando a chance de colisão ultrapassa três em cada dez milhões.
Os dados divulgados pela SpaceX ajudam a ilustrar essa realidade:
- mais de 355 mil manobras realizadas em um ano;
- uma média superior a 40 desvios por satélite;
- aumento da constelação de cerca de 6 mil para mais de 10 mil satélites;
- crescimento do número total de espaçonaves operacionais em órbita, passando de aproximadamente 10 mil para 16 mil.
Ainda que o sistema funcione automaticamente, o aumento do tráfego espacial torna essas operações cada vez mais desafiadoras.
Percepção crescente do risco por especialistas
Hugh Lewis, professor na Universidade de Birmingham especializado em Astronáutica, alerta que os desafios tendem a se intensificar. Ele afirma: “Estamos nos direcionando para uma situação onde uma colisão envolvendo um satélite ativo da constelação pode ocorrer. Isso não será devido à falta de tentativas para evitar esses encontros, mas sim apesar das diversas manobras executadas”.
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O pesquisador argumenta que cada desvio diminui a probabilidade de colisão para cerca de uma em um milhão. Embora individualmente esse risco seja baixo, quando centenas de milhares dessas manobras se tornam rotina na constelação, essa probabilidade se torna relevante nas operações diárias.
Tommaso Sgobba, diretor da International Association for the Advancement of Space Safety, afirma que essa situação era previsível. Com o aumento no número de satélites ocupando o mesmo espaço orbital, os cruzamentos se tornam inevitáveis. Ele enfatiza ainda que as flutuações causadas pelas condições espaciais dificultam a previsão precisa das trajetórias, levando os operadores a realizarem manobras preventivas que podem não ser necessárias.
Diante desse panorama, especialistas sugerem que novos projetos de megaconstelações apresentem estimativas sobre o número esperado de manobras aos órgãos reguladores antes da liberação para lançamento. Com o crescimento esperado na quantidade de satélites nos próximos anos, esse planejamento pode se tornar tão crucial quanto as tecnologias utilizadas nas naves espaciais.

