Em 2026, a presença da inteligência artificial (IA) nos ambientes corporativos do Brasil se intensificou consideravelmente. Um estudo realizado pela Luria, que analisou o uso anonimizado de sua plataforma por empresas parceiras, revela que a quantidade de usuários de IA no trabalho aumentou em 183% entre janeiro e agosto, em comparação ao mesmo intervalo de 2025.
A pesquisa abrange organizações de diversos setores, incluindo energia, farmacêutico, serviços financeiros e varejo. Além do crescimento no número de usuários, o levantamento mostrou que o volume mensal de consultas subiu 240% durante o período analisado. Para a Luria, esses dados refletem uma alteração significativa no comportamento das empresas: a IA está sendo utilizada não apenas em momentos pontuais, mas passou a estar presente em uma parte considerável da jornada laboral.
Expansão do uso da IA ao longo do expediente
Embora haja um aumento na utilização da tecnologia, essa não ocorre de forma uniforme ao longo do dia. Os horários de maior atividade são às 11h e às 15h, com aproximadamente 11% das consultas diárias concentradas em cada um desses períodos.
No intervalo entre 14h e 18h, observa-se que 41% das consultas são realizadas, enquanto das 9h às 12h esse número atinge 29%. Durante o horário de almoço, a atividade diminui consideravelmente: entre 11h e 13h, as consultas caem pela metade e apenas voltam a aumentar por volta das 14h30.
As terças e quintas-feiras figuram como os dias com maior utilização da plataforma. Em contrapartida, as sextas-feiras apresentam o menor volume de acessos durante a semana.
A distribuição dos horários também teve alterações em relação a 2025. Naquele ano, as consultas eram mais concentradas: 13,1% ocorrendo às 11h e 13,5% às 15h. Já em 2026, esses números diminuíram para 11,6% e 11,3%, respectivamente; enquanto as primeiras horas da manhã agora registram um aumento significativo nas consultas.
Dessa forma, verificou-se uma diminuição na concentração das atividades nos horários de pico e um início mais cedo no uso da plataforma. O estudo indica que metade dos usuários realiza três ou mais consultas diariamente ao utilizar o serviço.
Crescimento do número de usuários em períodos distintos
A expansão no uso da IA não ocorreu de maneira linear. De acordo com a Luria, houve uma fase de estabilidade em abril seguida por dois momentos significativos de crescimento nos meses de maio e agosto.
A pesquisa analisou dados entre 1º de janeiro e 31 de agosto de 2026 comparando com o mesmo período do ano anterior. Foram considerados apenas os usuários deduplicados das empresas ativas na plataforma, abrangendo as duas versões do produto e excluindo ambientes internos ou contas corporativas pertencentes à própria Luria.
A empresa assegura que nenhuma informação individual sobre empresas ou usuários foi utilizada nos dados apresentados. As informações refletem unicamente comportamentos agregados dentro da plataforma e não configuram uma pesquisa de mercado sobre a adoção da inteligência artificial no Brasil.
Consequências após a adoção da IA
O relatório também explora a diferença entre simplesmente adquirir ferramentas baseadas em inteligência artificial e integrá-las efetivamente nas rotinas organizacionais. Dados mencionados pela Luria indicam que metade das grandes corporações brasileiras já utilizava IA em suas operações até 2025, conforme a TIC Empresas daquele ano produzida pelo Cetic.br.
No cenário mundial, cerca de noventa por cento das organizações afirmam empregar IA em alguma função específica; contudo, somente 44% conseguiram implementar essa tecnologia amplamente em toda a empresa e apenas 6% são consideradas como organizações com alto desempenho segundo o State of AI 2026 da McKinsey. No Brasil, aproximadamente 23% das empresas conseguiram avançar com pelo menos 40% dos projetos piloto iniciados conforme dados divulgados pela Deloitte.
Allan Miranda, CEO da Luria, destaca que o ponto crucial reside no que permanece na organização após a implementação da tecnologia.
A questão que distingue as empresas atualmente não é qual modelo de IA elas decidiram usar — isso muda constantemente — mas sim o que fica dentro da companhia quando o modelo é alterado ou quando um colaborador chave muda para outra área ou até mesmo outra empresa.
Allan Miranda, CEO da Luria
Miranda acrescenta que interações tratadas como meras conversas efêmeras fazem com que as empresas tenham que reiniciar o processo a cada ciclo. Em sua visão, registrar essas interações poderia ajudar na preservação do conhecimento gerado durante o uso da inteligência artificial dentro da organização.
O post Uso de IA nas empresas quase triplica em 2026 aparece primeiro aqui.
