A pesquisa revela que o ChatGPT é responsável por uma maior quantidade de tráfego direcionado a marcas e varejistas, enquanto o Gemini retém cerca de 72% dos cliques dentro do Google.
O setor de AI shopping está passando por uma fase de diversificação entre as plataformas de inteligência artificial. De acordo com o estudo intitulado “O mais relevante sobre AI shopping para parceiros e líderes de marketing”, realizado pela Rakuten Advertising, uma das principais redes globais de marketing de desempenho e afiliados, a utilização do Gemini apresentou um crescimento significativo, passando de 15,2% para 28,5% entre novembro de 2025 e março de 2026. Essa mudança indica uma alteração importante na dinâmica competitiva entre as plataformas de IA focadas em descoberta, navegação e pesquisa de produtos.
A análise realizada sugere que as plataformas de inteligência artificial estão começando a criar suas próprias dinâmicas para navegação e condução do tráfego durante a jornada de compra. O estudo destaca que o ChatGPT é responsável por direcionar a maior parte dos cliques efetivos para marcas e varejistas. Em contrapartida, o Gemini mantém cerca de 72% dos cliques dentro do ecossistema do Google após interações relacionadas ao AI shopping. O Grok, que é a inteligência artificial generativa da plataforma X (anteriormente conhecida como Twitter), demonstra um forte viés para sua própria plataforma ao redirecionar 86% dos cliques para seus próprios conteúdos, limitando assim as oportunidades para marcas externas.
“Observamos a evolução das plataformas de IA em direção a ecossistemas completos voltados para navegação e descoberta digital. Cada ambiente começa a desenvolver dinâmicas próprias relacionadas à recomendação, validação e consumo de conteúdo, o que deve influenciar diretamente como marcas, publishers e plataformas competem por atenção e relevância nos próximos anos”, comenta Salomão Araújo (foto em destaque), VP Comercial da Rakuten Advertising no Brasil.
Outro aspecto destacado pelo estudo são as mudanças nos métodos utilizados para validar decisões de compra em jornadas mediadas por inteligência artificial. A consulta a amigos e familiares apresentou uma queda significativa entre os canais utilizados para verificação, reduzindo-se em 5,8 pontos percentuais. O uso dos mecanismos tradicionais de busca também teve uma diminuição, passando de 61% para 56,9%, enquanto as visitas a lojas físicas caíram 4 pontos percentuais no período analisado. Em contrapartida, os sites oficiais das marcas se mostraram os únicos canais estáveis nesse cenário, evidenciando mudanças importantes nos fluxos de confiança e navegação digital.
“A forma como a inteligência artificial opera está se transformando; ela deixa de ser apenas uma camada única de busca para se tornar múltiplos ambientes digitais com comportamentos distintos. Isso cria um cenário mais desafiador para marcas e anunciantes, que precisarão formular estratégias adaptadas aos diferentes ecossistemas de IA e novos modelos digitais de descoberta”, conclui o executivo.

