Nesta quinta-feira, David Ellison, executivo da Paramount Pictures, surpreendeu os participantes da CinemaCon ao revelar uma alteração significativa na abordagem da empresa para lançamentos cinematográficos, em decorrência da recente fusão com a Warner Bros.
Ellison anunciou que a Paramount planeja lançar pelo menos 30 filmes anualmente. Além disso, os novos lançamentos do estúdio terão um período de 45 dias de exclusividade nas salas de cinema antes de se tornarem disponíveis em outras plataformas.
Essa decisão reafirma o compromisso da Paramount com os cinemas, em um momento em que muitas empresas estão reavaliando o intervalo entre a estreia nos cinemas e a disponibilização no streaming.
O executivo também mencionou que os filmes do estúdio estarão disponíveis por três meses em vídeo sob demanda pago antes de serem adicionados ao catálogo do Paramount+.
A fala de Ellison ocorre enquanto a Skydance aguarda a aprovação dos órgãos reguladores para finalizar a aquisição da Warner Bros. Discovery.
A Paramount planeja integrar suas plataformas Paramount+ e HBO Max após a fusão com a Warner.
Detalhes sobre a aquisição da Warner pela Paramount
No dia 27 de fevereiro, a Paramount anunciou oficialmente que adquiriu a Warner Bros. Discovery. A confirmação do acordo veio após a Netflix decidir se retirar da disputa, alegando que o valor já não era mais atrativo financeiramente.
David Ellison, CEO da Paramount, esclareceu que o propósito da negociação sempre foi fundir as duas empresas sob uma nova visão estratégica.
“Desde o início, nossa busca pela Warner Bros. Discovery foi guiada por um propósito claro: honrar o legado de duas empresas icônicas enquanto aceleramos nossa visão de construir uma companhia de mídia e entretenimento de próxima geração. Ao unir esses estúdios de classe mundial, nossas plataformas de streaming complementares e o talento extraordinário por trás delas, vamos criar ainda mais valor para o público, parceiros e acionistas. Estamos muito animados com o que vem pela frente.”
Por sua vez, David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, enfatizou os benefícios dessa transação para os acionistas.
“Estou muito satisfeito com o resultado que alcançamos para os acionistas da WBD e para a indústria do entretenimento. Nosso princípio ao longo de todo o processo foi garantir uma transação que maximizasse o valor de nossos ativos icônicos e de nosso estúdio centenário, entregando o máximo de segurança possível para nossos investidores. Esperamos trabalhar com a Paramount para concluir essa transação histórica.”
De acordo com os detalhes do acordo, a Paramount pagará US$ 31 por cada ação da Warner Bros. Discovery. O contrato também estabelece uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação trimestralmente a partir de 30 de setembro de 2026, caso haja atrasos na análise regulatória. Além disso, existe uma multa estipulada em US$ 7 bilhões se a operação for impedida pelos órgãos competentes.
Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, já anunciou que há uma investigação em curso e assegurou que essa análise será feita com rigor.
Adicionalmente, a Paramount concordou em arcar com uma taxa rescisória no valor de US$ 2,8 bilhões que deve ser paga à Netflix após o término das negociações entre as duas companhias.

