Por Fabiana Ramos, CEO da Pine*
Ao buscar investidores, é comum que os empreendedores se aprofundem nas planilhas financeiras, analisando meticulosamente métricas e projeções. Essa atenção aos detalhes é não apenas natural, mas também benéfica. Contudo, o risco surge quando a ênfase nos números ofusca a importância de outros fatores cruciais na decisão de um investidor, especialmente a reputação.
Apesar de sempre ter sido uma influência no valor de uma empresa, muitas vezes a reputação é vista como um elemento secundário por ser intangível. Entretanto, em um ambiente competitivo, a confiança, a narrativa e a percepção da marca tornam-se tão relevantes quanto dados financeiros bem organizados. Nesse cenário, o papel das relações públicas (PR) se torna fundamental no processo de captação.
Embora os investidores tenham interesse em analisar números, seu foco principal reside na percepção de risco. É nesse ponto que o papel do PR se destaca, pois a reputação atua como um importante redutor do risco percebido.
Pesquisas revelam que a cobertura na mídia aumenta a visibilidade de startups entre analistas de investimentos. Um estudo realizado em Harvard indicou que essa visibilidade pode ter um impacto de até 26% em comparação com empresas que não são destacadas em veículos renomados. Isso ocorre devido a um ciclo virtuoso: uma maior presença na mídia não apenas amplia o reconhecimento da marca, mas também fortalece sua conexão com os clientes e atrai profissionais qualificados. No final das contas, estar presente nos meios adequados possui uma dupla função: familiariza investidores com o negócio e acelera aspectos observados por capitalistas de risco (VCs), como tração e relevância no mercado.
Entretanto, é importante ressaltar que apenas aumentar a visibilidade não resolve todos os problemas. A presença na mídia precisa ser cuidadosamente planejada e direcionada aos veículos que fazem sentido para cada segmento específico do público-alvo.
Em relação à captação de recursos, veículos voltados para tecnologia e negócios tendem a ter um impacto mais significativo. O mesmo estudo de Harvard revelou que 71% dos fundos de Venture Capital consideram publicações especializadas como suas principais fontes ao identificar novas oportunidades. A lógica é clara: investidores reconhecem quais veículos são rigorosos em suas avaliações e prestam mais atenção às empresas que conseguem obter espaço nesses canais.
Além da seleção dos canais, outro aspecto igualmente importante é a consistência na mensagem transmitida. Fundadores e executivos que atuam como porta-vozes dinâmicos e bem informados sobre o mercado aumentam a credibilidade da organização. A construção da autoridade acontece ao longo do tempo e não deve ser vista como uma tarefa pontual.
Esse é um aspecto essencial: as relações públicas não devem ser acionadas apenas durante as rodadas de investimento. Com frequência, após anunciar um aporte financeiro, as empresas consideram sua missão cumprida. Na verdade, isso representa apenas o início do processo. A divulgação do investimento oferece uma oportunidade estratégica para reforçar os principais pontos de discussão da empresa, seus valores essenciais, sua visão futura e sua cultura organizacional. É o momento ideal para demonstrar como os recursos recebidos serão convertidos em impacto real.
Em última análise, captar investidores é um exercício pautado pela confiança. E confiança não pode ser adquirida — ela deve ser construída ao longo do tempo. Uma estratégia eficaz de relações públicas deve ser desenvolvida meses antes das primeiras interações com investidores, transformando a reputação em um ativo valioso para valuation. Afinal, antes de tomarem decisões baseadas em números, investidores priorizam investir em confiança.
*Fabiana Ramos é CEO da Pine, uma agência dedicada à comunicação especializada em PR e conteúdo estratégico para marcas inovadoras. Com 20 anos de experiência em empresas multinacionais, ela lidera a expansão comercial da agência e posiciona a Pine como referência no mercado, assegurando uma experiência excepcional para os clientes. Em sua última posição profissional, atuou por três anos focada na expansão comercial da Swarovski, desenvolvendo uma estratégia internacional para vendas.

