A integração de finanças no ambiente corporativo e a governança como uma vantagem competitiva são algumas das perspectivas para o futuro
O setor de pagamentos no Brasil continua a se expandir rapidamente, impulsionado pela crescente adoção de soluções de pagamento instantâneo. Em 2025, as carteiras digitais foram identificadas como o método que mais cresceu nas vendas online, apresentando um aumento aproximado de 20% em comparação ao ano anterior, superando até mesmo o crescimento do PIX, conforme dados da EBANX. Essa tendência sinaliza uma transformação significativa na área: tanto consumidores quanto empresas estão demandando experiências de pagamento que sejam integradas, flexíveis e conectadas à gestão financeira, estimulando o mercado a repensar estratégias, tecnologias e modelos para os próximos anos.
Neste contexto, especialistas oferecem suas previsões sobre o futuro do ecossistema de meios de pagamentos:
1. O crescimento das finanças embarcadas no setor corporativo
Segundo Victor Papi, Gerente Geral da Transfeera, empresa pertencente ao grupo PayRetailers e que atua como instituição de pagamentos (IP) voltada para o mercado corporativo, as finanças embarcadas devem se tornar ainda mais evidentes em marketplaces B2B e plataformas de gestão. Essas estruturas começarão a integrar serviços de pagamento, crédito e seguros diretamente nos processos comerciais.
“Isso significa que as transações se tornam quase invisíveis: os pagamentos são realizados automaticamente dentro das plataformas, sem a necessidade de intermediários. Essa tendência promove maior conveniência, diminui atritos e abre novas possibilidades de receita em diversos setores”, explica o executivo.
2. A relevância do pagamento como infraestrutura no comércio unificado
No modelo de unified commerce, que combina canais físicos e digitais com dados e operações em uma única estrutura contínua, o pagamento deixa de ser apenas um aspecto específico da jornada do cliente e se torna fundamental para sustentar toda a experiência do consumidor. Ao integrar canais físicos e digitais com dados, identidade e operações em fluxos contínuos, essa infraestrutura possibilita jornadas mais suaves para os clientes além de proporcionar maior eficiência e controle no varejo.
Na visão da Cielo, alinhada aos debates da NRF 2026, essa base integrada é crucial para garantir consistência em um cenário onde a experiência é percebida como continuidade. “Quando o pagamento é considerado desde a estrutura do negócio, ele não é visto apenas como uma transação; torna-se um facilitador da jornada. Essa infraestrutura permite validar identidades, diminuir riscos e unificar dados em tempo real, apoiando decisões mais inteligentes e proporcionando experiências mais coerentes para os consumidores”, afirma Daniel Queiroz, Head de Parcerias da Cielo.
3. Governança se transforma em vantagem competitiva
No universo das fintechs brasileiras, o ambiente regulatório está passando por um processo contínuo de evolução, exigindo adaptação e visão estratégica das empresas. Nesse contexto, antecipar-se às regulações e desenvolver uma governança robusta deixou de ser um diferencial para se tornar uma condição essencial para um crescimento sustentável.
“Organizações que investem em uma estrutura ativa de compliance conseguem transformar a regulação em uma vantagem competitiva. Quando a proteção e controle dos processos são incorporados desde o design das soluções até o cliente final, o crescimento ocorre de forma segura e estruturada com diferenciação real no mercado”, comenta Clayton Ricardo, CFO da Idea Maker, fintech dedicada ao desenvolvimento de soluções para e-commerce com venda incentivada.
4. O pagamento evolui para parte integrante da jornada financeira
De acordo com Lígia Lopes, CEO da Teros — plataforma especializada em hiperautomação inteligente para decisões financeiras — o setor está passando por uma mudança estrutural significativa: os pagamentos não serão mais encarados como produtos isolados; eles passarão a ser eventos dentro de uma jornada financeira mais ampla e interconectada. Essa jornada abrange todas as etapas do relacionamento com o cliente — desde o onboarding até gestão de risco — exigindo que as empresas integrem dados e operações continuamente.
“Muitas organizações ainda veem os pagamentos como algo autônomo; acreditam que melhorar apenas esse aspecto resolve todos os problemas do cliente ou que cortar custos é suficiente para agregar valor. O pagamento isolado perdeu sua capacidade diferenciadora. Os consumidores não escolhem mais provedores apenas por sua eficiência no processamento; eles buscam soluções que resolvam seus problemas efetivamente. Isso demanda produtos realmente eficazes que conectem pontos distintos, compreendam contextos diversos e transformem dados em decisões operacionais sem depender de improviso constante diante das exceções. Os clientes vivem em um mundo interconectado que é muito mais complexo do que os nossos organogramas podem sugerir”, conclui a executiva.

