A investigação acerca da morte de Benício, um menino de apenas 6 anos, avançou após a Polícia Civil examinar mensagens enviadas pela médica Juliana Brasil durante o atendimento ao garoto em um hospital particular localizado em Manaus. O inquérito revela que, enquanto a criança se encontrava em estado grave devido à administração inadequada de adrenalina intravenosa, a profissional estava utilizando seu celular para efetuar vendas de produtos cosméticos.
O incidente ocorreu em novembro de 2025 no Hospital Santa Júlia. Benício buscou ajuda médica apresentando sintomas leves, como tosse seca. Contudo, durante a consulta, a médica optou por prescrever adrenalina por via intravenosa, uma ação que, segundo as investigações, contradiz as diretrizes que recomendavam sua administração via nebulização. Após receber o medicamento, o menino sofreu uma reação adversa e faleceu horas depois na unidade de terapia intensiva.
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As investigações revelaram que, mesmo na “sala vermelha”, destinada a pacientes críticos, Juliana monitorava o estado do menino enquanto mantinha diálogos no WhatsApp acerca da venda de maquiagens. As mensagens capturadas pelos investigadores mostram a médica discutindo pagamentos, oferecendo descontos e compartilhando informações para transferências bancárias.
Em uma das conversas analisadas, ela confirma ter recebido um pagamento via Pix e responde à cliente com mensagens carinhosas e emojis. Em outro momento, envia sua chave bancária logo após receber um elogio.
“Parecia que ela não estava presente com um paciente lutando pela vida”, comentou o delegado Marcelo Martins.
De acordo com a polícia, essas interações ocorreram cerca de uma hora e meia após a administração da adrenalina, quando Benício já exibia sintomas graves relacionados à medicação. Os investigadores afirmam que a médica passou grande parte desse tempo no celular enquanto os profissionais de saúde tentavam estabilizar a condição da criança.
“Enquanto meu filho necessitava de socorro, ela estava ao telefone vendendo produtos estéticos, ignorando toda a situação”, declarou Joyce Xavier, mãe do garoto.
Investigação indica tentativa de desvio de culpa
O inquérito também revelou que a médica tentou atribuir sua responsabilidade ao sistema eletrônico do hospital após o falecimento do menino. Durante as apurações, Juliana apresentou um vídeo alegando que houve uma alteração automática na via de administração do medicamento. No entanto, uma perícia técnica comprovou que não houve falha no sistema.
Além disso, os investigadores encontraram mensagens onde Juliana teria oferecido dinheiro para criar conteúdos que corroborassem sua versão dos eventos.
Frente às evidências coletadas pela Polícia Civil, Juliana Brasil foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica. A investigação também constatou que ela se apresentava como pediatra sem ter uma especialização oficialmente reconhecida na área.
Em comunicado enviado ao Fantástico, os advogados da defesa afirmaram que o vídeo anexado ao caso é legítimo e insistiram na possibilidade de falha do sistema hospitalar durante o atendimento prestado ao garoto.
O advogado Sérgio Figueiredo ainda afirmou que no momento em que Benício foi intubado, ele já não estava sob os cuidados diretos da médica.
“Ela não estava mais responsável pela criança naquele instante. O plantão dela continuou normalmente”, explicou.
Hospital e equipe também enfrentam acusações
Além da médica envolvida no caso, a técnica de enfermagem responsável pela aplicação da adrenalina e os diretores do hospital também estão sendo investigados. A Polícia Civil identificou diversas falhas estruturais na unidade hospitalar, como escassez de profissionais e ausência de um farmacêutico para verificar as prescrições médicas.
Dependendo do andamento legal do caso, tanto Juliana Brasil quanto a técnica poderão ser levadas a julgamento popular.
Os pais de Benício expressam esperança de que essa tragédia resulte em mudanças significativas para prevenir ocorrências semelhantes no futuro.
“É fundamental que haja punição para evitar que outras famílias passem pela dor imensa que estamos vivendo”, afirmou a mãe do menino.

