A influenciadora Simone Poncio, de 50 anos, compartilhou em suas redes sociais detalhes sobre sua terceira gravidez. Casada com o pastor Márcio Poncio, ela já é mãe de Saulo, de 30 anos, e Sarah, de 28. Durante a gestação, Simone recebeu um diagnóstico de hematoma subcoriônico, uma condição que levou à necessidade de repouso absoluto. Um especialista em saúde foi consultado para explicar essa situação caracterizada pelo acúmulo de sangue entre as membranas que envolvem o embrião.
O ginecologista Diney Soares Albuquerque abordou os riscos relacionados à gravidez em mulheres com mais de 50 anos. “Embora seja possível engravidar nessa idade, isso demanda cuidados especiais e honestidade sobre os desafios envolvidos. Nessa fase da vida, o corpo já passou por diversas mudanças, tornando a gestação classificada como de alto risco. Os principais perigos incluem hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e um aumento nas chances de aborto espontâneo. Além disso, há maior probabilidade de partos prematuros e a necessidade de cesarianas. Quando a mulher utiliza seus próprios óvulos, aumenta também o risco de anomalias cromossômicas no bebê, como a Síndrome de Down”, afirmou o médico.
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Diney Soares Albuquerque enfatizou os avanços na medicina que permitem uma abordagem mais segura para gestações tardias. “A fertilização in vitro com doação de óvulos é a prática mais comum nesse cenário; após os 50 anos, a reserva ovariana da mulher geralmente é inexistente. Utilizando óvulos jovens doados, os riscos genéticos para o bebê diminuem consideravelmente. O diagnóstico genético pré-implantacional também é uma opção valiosa, pois permite analisar os embriões antes da transferência para o útero e selecionar apenas os mais saudáveis. O pré-natal também é intensificado nesta fase: são realizados mais ultrassons e exames médicos detalhados para monitorar a saúde da mãe”, explicou.
O médico destacou que uma boa saúde prévia à concepção é crucial para uma gestação saudável na maturidade. “Quanto melhor for o estado clínico da mulher — sem hipertensão ou diabetes — maiores serão as chances de um resultado positivo. Exames como avaliação do coração e dos hormônios são essenciais antes do início do processo. Durante a gravidez, é imprescindível um acompanhamento multidisciplinar envolvendo obstetra e outros especialistas conforme necessário”, alertou.
Sobre a fertilização in vitro em mulheres acima dos 50 anos, Diney destacou que o procedimento exige atenção especial. “Embora o método seja semelhante ao usual, o protocolo se altera significativamente. É crucial verificar se o útero está apto para receber o embrião e descartar contraindicações clínicas antes do procedimento. A maioria dessas pacientes usará óvulos doados; portanto, a estimulação ovariana não é necessária. O preparo do endométrio envolve medicação hormonal e suporte prolongado com progesterona e estrogênio”, explicou ele.
A condição diagnosticada em Simone — um hematoma subcoriônico medindo 5 cm — foi esclarecida pelo especialista. “Trata-se do acúmulo sanguíneo entre as membranas que cercam o embrião e a parede uterina. É uma das causas mais frequentes de sangramentos no primeiro trimestre e normalmente detectada através da ultrassonografia — algumas mulheres notam pequenos sangramentos enquanto outras não percebem nada”, detalhou.
Diney Soares Albuquerque informou que os riscos associados ao hematoma variam conforme seu tamanho e localização. “Hematomas menores geralmente se reabsorvem sem complicações. Já aqueles maiores podem aumentar as chances de aborto ou parto prematuro e necessitam de cuidados redobrados. O tratamento costuma ser conservador: repouso absoluto, abstinência sexual e ultrassonografias regulares para monitorar a evolução”, orientou.
“A progesterona pode ser prescrita para dar suporte à gestação; não existem medicamentos que dissolvam o hematoma — esse processo acontece naturalmente ao longo do tempo”, concluiu Diney Soares Albuquerque.

