O cinema da Coreia do Sul é conhecido por sua habilidade em mesclar gêneros de forma inovadora, e Wild Sing exemplifica isso com sutileza. Agora disponível na Netflix, a produção inicia como uma comédia que evoca memórias sobre um grupo de K-pop esquecido, mas rapidamente se transforma em uma surpreendente jornada de estrada.
O filme se revela uma obra divertida, repleta de referências aos primórdios da música pop coreana, conseguindo entreter até mesmo aqueles que não estão familiarizados com esse universo.
Sob a direção de Son Jae gon, a trama gira em torno da química entre os atores Gang Dong won, Uhm Tae goo e Park Ji hyun, que interpretam o antigo trio Triangle, em sua busca pelo sucesso duas décadas após seu apogeu.
Nostalgia como ponto de partida
A primeira parte do filme se apresenta como uma homenagem aos primórdios do K-pop.
Com figurinos amplos e vibrantes, coreografias marcantes e programas de TV que permitiam votação por telefone, o longa recria o estilo musical que dominou o final dos anos 1990 e captura um período significativo na cultura pop da Coreia do Sul.
O cuidado nos detalhes é notável. A direção se esforça para transportar a audiência para essa época sem utilizar a nostalgia apenas como um recurso para agradar os fãs. Tudo flui naturalmente dentro da narrativa.
Paralelamente, a história segue um caminho bastante familiar. Hyun woo, o ex-líder do Triangle, tenta persuadir seus antigos parceiros a voltarem aos palcos. Sang gu leva uma vida comum como corretor de seguros, enquanto Do mi abandonou sua carreira artística após o casamento.
Essa introdução consegue criar empatia pelos personagens, embora não traga muitas surpresas. A expectativa é de que o filme siga a fórmula já conhecida de um grupo buscando uma nova oportunidade.
A viagem altera completamente o ritmo
É no momento em que os protagonistas partem para ensaiar seu tão esperado retorno que Wild Sing encontra sua verdadeira essência.
A entrada de Sung gon, um ex-cantor romântico que agora captura animais selvagens, muda radicalmente o tom da narrativa. A partir desse instante, o filme abandona o drama musical e abraça situações cada vez mais absurdas, resultando em uma sequência de eventos inesperados que proporciona os melhores momentos da obra.
O humor se destaca por nunca soar forçado. As situações emergem organicamente das personalidades dos personagens, e a excelente química entre o elenco faz com que cada diálogo seja mais divertido.
Gang Dong won assume a liderança do trio com carisma; entretanto, Uhm Tae goo e Park Ji hyun também trazem equilíbrio à narrativa com atuações igualmente competentes.
O filme evita transformar sua mensagem em um discurso sobre seguir sonhos a qualquer custo. Em vez disso, foca em como antigas amizades podem perdurar ao longo do tempo, mesmo quando o sucesso se torna algo distante.
É possível que Wild Sing não seja uma obra marcante dentro do gênero cômico e parte de sua primeira metade leve algum tempo até encontrar um rumo mais inovador. Contudo, ao adotar finalmente sua proposta de road movie, entrega uma experiência leve, engraçada e surpreendentemente envolvente.
Mesmo aqueles que não acompanharam a primeira geração do K-pop poderão desfrutar de uma comédia agradável sobre reencontros, amizade e a capacidade de rir da própria nostalgia.
Nota: ★★★★☆ (4/5)

