Falecimento tranquilo em casa
O universo do rock clássico sofreu uma perda significativa com o falecimento de Dave Mason, um artista britânico multifacetado. O cantor e guitarrista, que foi um dos fundadores da famosa banda Traffic, faleceu no domingo, dia 19 de abril, aos 79 anos.
Questões de saúde
A confirmação da morte veio por meio de um comunicado oficial emitido pela família e pela assessoria do músico nas redes sociais. Conforme a declaração, Mason faleceu serenamente enquanto descansava em sua poltrona preferida, após um jantar ao lado de sua esposa, Winifred, em sua casa situada em Gardnerville, Nevada, Estados Unidos.
Ainda que a causa exata de sua morte não tenha sido divulgada imediatamente, o artista enfrentava problemas de saúde nos anos recentes. Em 2024, ele se submeteu a uma cirurgia para a substituição de uma válvula cardíaca e, no ano seguinte, precisou cancelar o restante de sua turnê e anunciou sua aposentadoria dos palcos devido a complicações decorrentes de uma grave infecção.
Início e consagração com o Traffic
<pDave Mason nasceu em 10 de maio de 1946 em Worcester, na Inglaterra. Ele superou uma infância desafiadora após sofrer uma queda acentuada aos cinco anos que resultou em fratura no quadril, obrigando-o a passar 18 meses hospitalizado para reaprender a andar. Aos 16 anos, começou a tocar guitarra e logo formou sua primeira banda chamada The Jaguars.
O reconhecimento veio em 1967 quando ele se juntou a Steve Winwood, Jim Capaldi e Chris Wood para criar o Traffic. O grupo se isolou em uma casa no campo com o intuito de compor seu álbum inaugural intitulado “Mr. Fantasy”. Mason foi responsável por alguns dos sucessos mais emblemáticos da banda, como “Hole in My Shoe”, que alcançou a segunda posição nas paradas britânicas, além do famoso “Feelin’ Alright”, que mais tarde se tornou um grande sucesso na voz de Joe Cocker.
Apesar do sucesso inicial da banda, a relação entre Mason e os outros membros do Traffic foi conturbada. Devido a divergências artísticas com Winwood, ele deixou o grupo logo após o primeiro álbum e fez um breve retorno para o segundo disco antes de decidir sair definitivamente para focar em sua carreira solo nos Estados Unidos.
Colaborações memoráveis
A habilidade de Mason como guitarrista e compositor fez dele um dos músicos mais procurados do rock durante as décadas de 1960 e 1970. Ele gravou com várias lendas musicais e fez participações notáveis nas gravações de “Crosstown Traffic” com Jimi Hendrix e “All Along the Watchtower”, onde tocou violão de doze cordas. Além disso, colaborou na canção “Across the Universe” dos Beatles.
O músico também trabalhou com os Rolling Stones no álbum “Beggars Banquet”, participou da obra “All Things Must Pass” de George Harrison e “Venus and Mars” de Paul McCartney. Além disso, formou uma dupla com Cass Elliot (da banda The Mamas and the Papas) e integrou grupos como Derek and the Dominos (ao lado de Eric Clapton) e Fleetwood Mac.
Uma carreira solo prolífica
Depois de deixar o Traffic permanentemente, Mason construiu uma carreira solo robusta e diversificada. Entre os anos 1970 até 2023, ele lançou um total de 16 álbuns de estúdio e conquistou diversos sucessos nas paradas musicais.
Sua estreia solo ocorreu em 1970 com o elogiado álbum “Alone Together”, que recebeu certificado de disco de Ouro nos Estados Unidos e incluiu o sucesso “Only You Know and I Know”. Em seguida, consolidou sua presença no mercado americano com álbuns como “It’s Like You Never Left” (1973) e “Dave Mason” (1974). O auge comercial dessa fase aconteceu com “Let It Flow” (1977), que alcançou status de disco Platina impulsionado pelo hit “We Just Disagree”.
No final daquela década, Mason expandiu suas atividades para a atuação. Em 1979, fez uma aparição como ele mesmo no filme “A Febre dos Patins”, que estava inserido na cultura da patinação ao som da disco music. Ao lado de Scott Baio e Patrick Swayze—que fazia sua estreia nas telonas—Mason escreveu duas músicas para o filme, incluindo seu tema principal.
No ano seguinte, lançou o álbum “Old Crest on a New Wave”, que surpreendeu os ouvintes ao apresentar “Save Me”, um dueto inusitado com Michael Jackson.
Pausa prolongada e retorno
A partir de 1987, dificuldades relacionadas ao álcool e às drogas levaram Mason a interromper sua carreira por cerca de duas décadas. Somente no século XXI ele conseguiu retomar suas atividades musicais.
Nos últimos anos da vida do artista, lançou “Future’s Past” (2014) e revisitou seu álbum inaugural através da regravação “Alone Together, Again” em 2020. Seu último trabalho em estúdio foi “A Shade Of Blues”, lançado independentemente em 2023.
Legado duradouro e ações filantrópicas
No ano de 2004, seu legado musical foi reconhecido quando foi induzido ao Rock and Roll Hall of Fame como membro fundador da banda Traffic. Além das contribuições musicais, Mason dedicou seus últimos anos à filantropia, apoiando iniciativas voltadas à educação musical infantil e estabelecendo instituições beneficentes para veteranos militares e pessoas afetadas por dependência química.

