Todo profissional começa em algum lugar
Recentemente, abordei a importância dos torneios de base para o crescimento dos e-sports no Brasil. Para aprofundar a discussão, entrevistei um jovem talento que vivenciou esse processo em sua carreira.
Gustavo “Kog” Melgaço foi o protagonista da entrevista desta semana. Após participar de competições amadoras, incluindo eventos promovidos pela Liga GG, atualmente ele atua como atirador na equipe Ei NERD Esports, competindo no Circuito Desafiante, um torneio que reúne times em busca de uma vaga na principal liga de League of Legends do país.
O primeiro passo
Para Kog, a aspiração de se tornar um jogador profissional começou desde cedo.
“Sempre sonhei em ser jogador profissional de qualquer jogo. Sempre tive uma grande paixão por competir.”
Seu primeiro contato com um torneio organizado ocorreu na Série B da Liga GG, onde jogou pela equipe Jupiter King. O resultado foi extremamente positivo: ele conquistou o campeonato.
“Lá eu ganhei meu primeiro split e isso me motivou a participar de mais competições, pois percebia que tinha potencial para evoluir.”
Muito além das partidas ranqueadas
Os jogadores de League of Legends costumam dedicar muito tempo às partidas ranqueadas. No entanto, ser parte de um campeonato requer muito mais do que isso.
Ao integrar uma equipe, Kog passou a equilibrar seu tempo entre treinos individuais e em grupo, além de estudar os adversários e desenvolver estratégias junto aos colegas.
“Eu precisava treinar mais e passar mais tempo com o time, ao invés de apenas jogar Solo Queue.”
Além do aspecto técnico, ele destaca uma outra lição importante que aprendeu.
“Entendi o que é perder após ter se esforçado bastante para vencer. Contudo, perder também faz parte do esporte.”
Quando surgiu a oportunidade
Ao demonstrar bom desempenho nos campeonatos de base, Kog recebeu convites para participar de tryouts — um processo seletivo usado por equipes para avaliar novos jogadores antes da contratação.
Nesse período, ele percebeu que seu sonho poderia realmente se concretizar.
“Foi durante os tryouts em uma equipe do Circuito Desafiante. Consegui me destacar mesmo jogando contra atletas que já estavam no T1. Foi ali que percebi que poderia me tornar um bom jogador.”
Subsequentemente, recebeu uma proposta para se juntar à Ei NERD Esports.
Kog menciona que a organização estava à procura de novos talentos para desenvolver dentro do seu projeto.
“Eles queriam rookies para treinar e descobrir até onde eu poderia chegar.”
Da base para uma estrutura profissional
A entrada no Circuito Desafiante também trouxe mudanças significativas na rotina do jogador.
Diferentemente dos campeonatos amadores, que geralmente enfrentam limitações em termos de estrutura e organização, as equipes das divisões superiores contam com processos mais profissionalizados.
Kog ressalta que os torneios do circuito desafiante demandam maior organização.
Essa distinção se reflete no planejamento dos treinamentos, na preparação para as partidas e no suporte oferecido pelas organizações aos atletas.
O caminho continua
Aqueles que aspiram a seguir carreira nos e-sports devem focar em melhorar suas habilidades e buscar espaço nas competições iniciais, segundo Gustavo.
“O ideal é alcançar um bom desempenho nas partidas ranqueadas, encontrar uma equipe para disputar campeonatos e trabalhar na evolução individual enquanto espera por oportunidades.”
A reflexão sobre sua própria trajetória revela a importância desses torneios na formação dos jogadores.
“Sem dúvida eu não teria chegado aqui sem esses campeonatos. Muitos jogadores hoje em grandes equipes começaram nas competições de base. Foi ali que puderam mostrar seu potencial e atrair a atenção das organizações.”
A experiência de Gustavo “Kog” Melgaço enfatiza um ponto recorrente nas discussões sobre o cenário competitivo: as grandes arenas não são o início da jornada. Antes das ligas principais existem competições fundamentais que oferecem aos jogadores a chance de competir, amadurecer e serem notados por equipes profissionais. Essas competições não apenas revelam talentos mas também ajudam a moldar o futuro dos e-sports brasileiros.

