Operação contra esquema de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal realizou uma grande operação na manhã desta quarta-feira (15/4), resultando na prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. Nomeada de Narco Fluxo, a ação tem como objetivo desmantelar uma organização criminosa que supostamente empregava a notoriedade de artistas e influenciadores digitais para ocultar recursos ilícitos.
Onde os suspeitos foram encontrados?
Os agentes federais encontraram MC Ryan em uma residência luxuosa situada na Riviera de São Lourenço, no litoral de São Paulo. Durante a operação, uma série de bens do cantor foi apreendida, conforme relatado pelo programa “Bom Dia São Paulo”.
A operação também envolve figuras da internet, incluindo o influenciador Chrys Dias e Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei. O advogado Frederico Moreira confirmou que Raphael prestou depoimento na sede da Polícia Federal em Goiânia, embora ainda estivesse preparando um posicionamento oficial. A conta de entretenimento gerida por ele conta com mais de 27 milhões de seguidores atualmente.
Como funcionava a organização criminosa?
As investigações revelaram que o grupo movimentou mais de R$ 1,6 bilhão em apenas dois anos. Aproveitando-se do sucesso da indústria musical e das altas taxas de engajamento nas redes sociais, a quadrilha utilizava essa visibilidade como um “escudo” para dificultar o rastreamento da verdadeira origem dos fundos.
O esquema financeiro mantinha vínculos diretos com atividades ilegais, como tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais. Os criminosos utilizavam empresas fictícias, laranjas e transações com criptomoedas para proteger seu patrimônio ilegal.
A Polícia Federal detalhou em nota que “as investigações indicam que os envolvidos empregavam um sistema para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras significativas, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos”.
Qual é a dimensão da operação policial?
Mais de 200 policiais federais estão envolvidos no cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão e 39 ordens de prisão temporária. As equipes realizam operações simultâneas em diversos estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Foi informado que medidas patrimoniais foram adotadas, como o sequestro de bens e restrições societárias, visando interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para possíveis ressarcimentos. Ao longo das diligências, as autoridades confiscariam veículos, eletrônicos, documentos e dinheiro em espécie.
As investigações prosseguem e os implicados poderão ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Posicionamentos dos advogados
A defesa de Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, declarou não ter acesso ao inquérito sigiloso mas garantiu a “absoluta integridade” do artista e a transparência em suas transações financeiras. Os advogados afirmaram que “todos os valores movimentados por suas contas têm origem comprovada” e estão sujeitos ao “regular recolhimento de tributos”.
A equipe legal expressou confiança na capacidade dos esclarecimentos necessários serem fornecidos oportunamente: “Acreditamos que a verdade dos fatos será devidamente demonstrada”, concluiu a nota oficial.
No caso de Marlon Brandon Coelho Couto Silva, conhecido como Poze do Rodo, seus representantes legais informaram que desconhecem os detalhes do mandado de prisão. Eles prometeram acionar a Justiça para reverter a detenção assim que tiverem acesso aos documentos pertinentes ao processo.
O espaço permanece aberto para qualquer declaração ou atualização das partes envolvidas que desejem responder ou adicionar informações sobre o ocorrido.

