Na quarta-feira, dia 1º de julho, a Inglaterra conquistou uma virada emocionante sobre a RD Congo, terminando a partida com um placar de 2 a 1 e garantindo sua vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo. Por sua vez, a Escócia ficou de fora da fase eliminatória após ser derrotada pela Seleção Brasileira. Enquanto isso, País de Gales, República da Irlanda e Irlanda do Norte não participaram desta edição do torneio. Mas qual é o ponto em comum entre essas nações? A designação Reino Unido — ou seria Grã-Bretanha?
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A confusão sobre nomenclaturas é bastante frequente, especialmente durante grandes eventos esportivos globais. Além das questões esportivas, existem também aspectos geográficos, políticos e territoriais a serem considerados. Isso explica por que algumas dessas nações competem com seleções próprias em torneios de futebol, enquanto nos Jogos Olímpicos atuam sob uma única bandeira.
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No contexto das Nações Unidas (ONU), o nome oficial do país é Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte — uma designação utilizada oficialmente pela primeira vez em 1801 — ou simplesmente Reino Unido. Composto por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, o Reino Unido não inclui a República da Irlanda. Por outro lado, Grã-Bretanha refere-se à ilha onde se localizam Inglaterra, Escócia e País de Gales.
Ainda que exista uma união formal entre esses países através de tratados políticos, as relações entre eles nem sempre foram harmoniosas. Ao longo da história, houve conflitos armados, tratados diversos e alianças instáveis. Isso resultou no desenvolvimento de culturas distintas e até mesmo idiomas diferentes entre as nações.
E quanto ao futebol?
Diante dessas complexidades surgem os esportes. O futebol teve sua origem em 1863 com a formação da Football Association (FA), cuja fundação ocorreu em 26 de outubro daquele ano. Simultaneamente, as nações vizinhas também estabeleceram suas associações para o esporte: Escócia em 1873, País de Gales em 1876 e Irlanda em 1880. A FIFA foi criada em 1904 e já existia um torneio entre seleções há mais de duas décadas nessa época, resultando em rivalidades acirradas.
Pelo Artigo 14 dos Estatutos da FIFA, apenas uma associação é reconhecida por cada país e deve gerenciar todo o futebol dentro desse território. Por exemplo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é a única entidade responsável pelo futebol no Brasil. Mas como lidar com quatro associações britânicas que pertencem à mesma nação?
A FIFA fez uma exceção nesse caso específico. “Durante o Congresso da FIFA em 1908, houve questionamentos sobre os pedidos de adesão da Irlanda e Escócia devido ao temor de criar precedentes perigosos; no entanto, no Congresso seguinte realizado em Milão em 1910, essa postura mudou e as associações de futebol da Irlanda, Escócia e País de Gales foram convidadas a se filiar à FIFA”, conforme explica o site oficial da entidade.
Com essa autorização da FIFA, as federações puderam manter seus campeonatos nacionais separados como o Campeonato Inglês e o Campeonato Escocês, além das respectivas seleções nas competições internacionais como acontece com a Seleção Inglesa.
No cenário olímpico, tudo muda!
Enquanto no futebol existe essa exceção concedida pela FIFA, nas Olimpíadas a situação é distinta. O Comitê Olímpico Internacional (COI) reconhece somente uma entidade para representar o Reino Unido: chamada Team GB (Grã-Bretanha). Esta delegação inclui atletas provenientes da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Os atletas norte-irlandeses têm a opção de competir sob a bandeira britânica ou pela República da Irlanda.
A origem dessa divisão (ou união) no contexto olímpico remonta aos Jogos Olímpicos realizados em Londres em 1908 quando o país foi designado como sede dos Jogos. Na ocasião, pediu-se à Associação de Futebol (FA) que organizasse o torneio inaugural do esporte nos Jogos Olímpicos. Escócia, Irlanda e País de Gales não tinham equipes amadoras disponíveis (naquela época os jogos eram restritos apenas a atletas amadores) e decidiram não participar; assim coube à Federação Inglesa representar o Reino Unido no evento sem o consentimento das outras federações.
A ausência desse arranjo durante os períodos das guerras mundiais levou ao acordo sobre nomenclatura que foi estabelecido nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 quando as quatro federações concordaram em ceder jogadores para compor uma equipe conjunta. Essa união perdurou até os anos setenta quando se decidiu descontinuar a seleção olímpica britânica.
No entanto, em 2012 durante os Jogos Olímpicos realizados em Londres houve um retorno dessa equipe devido à recepção especial aos anfitriões. Naquele momento surgiu forte oposição entre torcedores e políticos sobre se era aceitável torcer por atletas que tradicionalmente representavam equipes rivais agora competindo juntos sob uma mesma bandeira.
No final das contas foram convocados um total de 18 atletas para compor a equipe masculina sendo 13 ingleses e cinco galeses incluindo Ryan Giggs ícone do Manchester United; enquanto no time feminino estavam presentes apenas duas escocesas dentre as dezessete convocadas que eram inglesas. Parte dos jogadores galeses se manifestaram contra cantar “God Save the Queen”, gerando controvérsia; ambas as delegações acabaram eliminadas nas quartas de final.
Desde aquele evento emblemático nos Jogos Olímpicos londrinos, a Seleção Britânica não esteve presente nas competições masculinas nas edições seguintes realizadas no Rio (2016), Tóquio (2020) ou Paris (2024). No entanto, a equipe feminina participou apenas na edição japonesa.

