A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) divulgou um conflito financeiro envolvendo o Governo do Distrito Federal (GDF) e a Secretaria de Esporte e Lazer do DF (SEL/DF). Em um comunicado emitido nesta quarta-feira (17/6), a entidade denunciou que os órgãos públicos não cumpriram com os acordos firmados para a realização de eventos da modalidade na região.
Segundo a nota, o pacto, estimado em mais de R$ 17 milhões, tinha como objetivo assegurar o financiamento necessário para a etapa da Liga das Nações em Brasília, que ocorreu entre os dias 3 e 14 de junho, além de outras competições. A CBV informou que a autorização para liberação dos recursos foi assinada em outubro de 2025. No entanto, em maio deste ano, apenas 23 dias antes do início do torneio, um novo ofício comunicou que o acordo não poderia ser mantido.
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A CBV ressaltou que, na data do novo informe, todos os preparativos para o evento já estavam concluídos, incluindo acordos com equipes participantes e fornecedores. A confederação também mencionou seus compromissos com a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e com a Volley World (VW), além da venda de ingressos e planejamento turístico.
A entidade decidiu arcar com as despesas do evento visando evitar possíveis sanções esportivas ao Brasil, o que poderia levar à exclusão do país dos Jogos Olímpicos de 2028. A CBV afirmou que tomou essa decisão considerando sua responsabilidade institucional e o compromisso com a imagem do Brasil no cenário esportivo global.
A parte destinada à realização da etapa da Liga das Nações também deveria cobrir o Circuito Mundial de Vôlei de Praia em Brasília, que aconteceu entre 29 de abril e 3 de maio. A CBV informou que mais de R$ 5 milhões referentes a essa competição também não foram pagos, afetando diretamente seu orçamento.
A Secretaria de Esporte e Lazer do DF (SEL/DF) foi contatada pelo portal LeoDias, mas ainda não respondeu. O órgão declarou que não houve contrato assinado entre o GDF e a CBV para viabilizar a etapa da Liga das Nações.
A nota da CBV:
“Desde agosto de 2025, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) manteve discussões institucionais avançadas com o Governo do Distrito Federal (GDF) e a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer para viabilizar a fase brasileira (masculina e feminina) da Liga das Nações em Brasília entre os dias 3 e 14 de junho de 2026.”
“A CBV atuou sempre com transparência durante todas as fases desse processo colaborativo, realizando diversos alinhamentos técnicos e administrativos para atender às solicitações do GDF, sempre esperando que o compromisso institucional fosse cumprido.”
“Esse compromisso foi formalmente ratificado pela Secretaria por meio do Ofício nº 870/2025 – SEL/GAB, datado de 22 outubro de 2025, onde se comprometeram com um aporte financeiro totalizando R$ 17.500.000,00 (dezessete milhões e quinhentos mil reais), sendo R$ 11.000.000,00 (onze milhões) exclusivamente para a realização da VNL.”
“No caso do vôlei praia, houve assinatura do Termo de Fomento nº TF-21-SEL/2026 com um aporte prometido de R$ 5.985.023,73; no entanto até agora esse apoio financeiro não foi recebido pela CBV.”
“Para nossa surpresa absoluta, faltando menos de vinte dias para o início da competição e treze dias antes da montagem do evento, recebemos um ofício datado em 11 maio informando que não seria possível formalizar o apoio financeiro previamente acordado devido às restrições orçamentárias.”
“É importante lembrar que nos eventos anteriores realizados em Brasília pela parceria entre a CBV e SEL houve processos semelhantes onde prazos foram respeitados dentro dos acordos firmados.”
“Recebemos essa comunicação num momento crítico; um evento dessa magnitude não se organiza rapidamente. Já tínhamos contratos firmados e outros na fase final; obrigações com fornecedores estavam assumidas; planejamentos logísticos estavam consolidados; além disso havia toda uma mobilização turística vinculada ao evento.”
“Apesar da gravidade da situação financeira causada pela falta inesperada formalização da parceria pelo GDF, decidimos manter integralmente a realização desta etapa brasileira visando proteger nossa imagem internacional no esporte.”}
A nota da SEL/DF:
“A Secretaria esclarece que não foi celebrado contrato ou qualquer outro instrumento jurídico que estabelecesse repasse financeiro à CBV.”}“Embora tenha havido tratativas entre as partes envolvidas, formalizar essa parceria estava condicionado ao cumprimento das exigências legais necessárias.”.
“Devido às medidas adotadas pelo GDF para contingenciamento orçamentário, não foi possível efetivar os documentos necessários para transferência dos valores.”}“A CBV foi notificada oficialmente sobre essa impossibilidade antes mesmo do evento.”}.
“As ações fiscais implementadas pelo governo incluem cortes significativos nos contratos administrativos além da revisão geral das despesas.”}“A Secretaria reafirma seu respeito à Confederação Brasileira de Voleibol e seu comprometimento com desenvolvimento esportivo.”}.

